Semana Santa de Braga: a tradição que nunca passa de moda

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A Semana Santa de Braga é um dos principais focos de cultura em Braga. É uma das celebrações mais tradicionais da Páscoa em Portugal. Mesmo caindo no obscurantismo a data exata do início destas celebrações bracarenses, é, contudo, conhecido que o seu núcleo ainda há de remontar à época de S. Geraldo – o padroeiro da nossa cidade.


Nesta semana, a cidade enche-se de procissões, o cheiro a incenso paira no ar, as nossas dezenas de igrejas aprumam-se para receber os milhares de visitantes que por elas passam, com os “Rebuçados do Senhor” vendidos nas suas portas ao longo de todo o período quaresmal a ganharem outro sabor. Os farricocos – imagem típica bracarense – caminham pela cidade, com o som das matracas a convidarem todos para a procissão da noite.


Esta Semana tem, para mim, um grande significado desde a infância. É das que melhor representa a história e o espírito bracarenses. O profundo enraizamento da Igreja Católica é traduzido pelo número elevado de Igrejas que temos no nosso território, mas sobretudo pela tentativa de reprodução das vivências que se procuram replicar pelas várias procissões, pelos símbolos utilizados, pelas festas preconizadas.


Desde pequena que me lembro de ir à Igreja no domingo de ramos de manhã, para cumprir a tradição de ir buscar o ramo de oliveira benzido para entregar aos padrinhos. Lembro-me da primeira vez a que assisti à “Procissão da Burrinha” e de a identificar pela procissão “mais alegre de todas”, por ser a que mais é entoada por cânticos. Lembro-me vivamente das primeiras vezes em que assisti à procissão «Ecce Homo» e como me surpreendia ver os figurantes dos farricocos descalços; do som impactante das matracas; das pinhas a arder que aquecem a procissão e a quem a ela assiste. Desde sempre que identifico a “Procissão do Enterro do Senhor” como a procissão do absoluto silêncio, como respeito pela morte do Senhor, ouvindo-se a banda apenas ao fim. Lembro-me de como no sábado as Igrejas se enchem para celebração da Vigília Pascal. E de como no domingo as ruas da cidade se enchem de compassos, onde o som dos sinos anuncia a sua chegada.


Não pretendo ser exaustiva, nem esgotar as tradições da Semana Santa, neste que é o meu leque de memórias mais profundo. Mas creio ser um bom retrato do muito que se vive e que se aprende na nossa cidade ao longo de toda esta semana. E de como as portas se abrem para que todos possam reviver as tradições – sejam ou não católicos. Porque, em último caso, religião também é cultura. E a cultura é para ser vivida por todos, sem amarras e sem o preconceito de sermos ou não cristãos.


É com este espírito que o Município enceta todos os esforços que estão ao seu alcance para que esta seja uma semana de vivacidade, de dinamismo, de atração para que quem vem, queira voltar. E neste ano, de um inverno particularmente rigoroso e que afastou muitos de nós do centro da cidade, nesta semana que se avizinha soalheira e de temperaturas simpáticas, é particularmente importante convocar todos a percorrerem as ruas da cidade, a visitarem as Igrejas, a assistirem às procissões, a participarem nas festas e nas missas organizadas, ajudando assim também a manter esta tradição viva, cuja importância todos reconhecem – e, em particular, os jovens, que são fonte importante do seu dinamismo.

 

Não descurando a importância que este envolvimento na tradição tem também no comércio local e na hotelaria, que dependem de nós e do nosso envolvimento para que tenham as suas portas abertas.


Creio não haver melhor forma de iniciar esta Semana Santa de Braga do que com a chegada da notícia de que as obras para requalificação do S. Geraldo têm, agora, luz verde, e que também aqui nascerá um novo centro cultural de referência.
Façamos, todos, a nossa parte para que seja mais uma Semana Santa viva e cheia!

Publicado a: 01 de Abril de 2026

Por: Sofia Travassos Alcaide - Correio do Minho

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